“Há algo que é comum a qualquer indivíduo, relacionamento, equipe, família, organização, nação, economia e civilização no mundo todo – algo que, se faltar, destruirá o governo mais poderoso, o negócio mais bem-sucedido, a economia mais próspera, a liderança mais influente, a maior amizade, o caráter mais forte, o amor mais profundo. Por outro lado, se desenvolvido e estimulado, tem o potencial de criar sucesso e prosperidades sem precedentes em todas as dimensões da vida. No entanto, é a coisa menos entendida, mais negligenciada e mais subestimada em nossos tempos. É a confiança.
De forma simples, confiança significa ter certeza de que a pessoa não esconde nada e é sincera. O oposto da confiança – a desconfiança – é a suspeita sobre sua sinceridade. Quando você confia nas pessoas, você confia em sua integridade e em suas competências. Quando desconfia das pessoas você desconfia de suas intenções e atitudes e de sua integridade, sua agenda, suas competências ou seus antecedentes.
A confiança sempre produz dois resultados – a velocidade e o custo. Quando a confiança decresce, a velocidade também decresce e os custos aumentam.”
Acima temos um pequeno trecho do resumo do livro “O poder da confiança”, de Stephen Covey. Alguns poderiam imaginar porque iniciei este post com um texto desta natureza. Mas é fácil explicar. Confiança é a base do relacionamento entre seres humanos, e como tal, tem tudo a ver com gerenciamento de projetos. Vejam a última frase do texto. “Quando a confiança decresce, a velocidade também decresce e os custos aumentam.” Vemos isto a todo momento. Situações em que cliente e fornecedor estão trabalhando pela primeira vez juntos são marcadas por um formalismo excessivo das decisões do projeto, já que não se sabe a priori se o outro lado honrará acordos realizados apenas verbalmente. O mesmo ocorre quando cliente e fornecedor já trabalharam juntos, mas tiveram vários impasses gerados por um certo “disse me disse” em que um lado imaginava ter acordado uma coisa e o outro lado outra coisa diferente. A formalização nesses casos acaba sendo fundamental, mas como disse Covey, torna os processos mais lentos e caros.
Por outro lado, tem havido nos últimos anos um grande movimento na industria de software no sentido de se ter processos mais leves, mais rápidos e menos caros. Com o rótulo de “métodos ágeis”, essa nova abordagem prega a minimização de documentos e formalismos e uma maior interação entre indivíduos. Esta interação tem como objetivo fundamental aumentar o compromisso das diversas partes com as decisões tomadas nos projetos, aumentando por conseqüência a confiança entre elas. Diminuição de custos e aumento na velocidade? Parece ótimo, não? Claro! O problema é que nem sempre é possível. Qualquer tipo de burocracia é sempre indesejável, mas acaba sendo necessária em ambientes em que o nível de confiança é baixo. Um mal necessário, infelizmente. Que poder é esse, hein!?