Aula de gerenciamento de riscos em um curso de especialização em gerenciamento de projetos. Levei alguns exercícios de múltipla escolha para gerar discussão nos conceitos e técnicas apresentados até então. Em um deles, surgiu um debate interessante. A questão era a seguinte:
Você está planejando um projeto que na concepção de todos apresenta risco muito baixo. O projeto terá uma duração de 5 meses, está sendo realizado pela sua própria empresa e tem baixa prioridade. Baseado nestas informações, o que é melhor fazer?
a) Pular a análise quantitativa de riscos.
b) Gastar apenas um dia com gerenciamento de riscos.
c) Começar planejamento de resposta a riscos somente com as pessoas mais participativas.
d) Gastar a mesma quantidade de tempo gasta em outros projetos no gerenciamento de riscos, já que pode haver riscos não identificados.
Após o anúncio de que a resposta certa era a letra a, uma reação interessante ocorreu. Veio a pergunta:
- Peraí! Eu posso “pular” um processo do PMBOK? Não imaginei que isso fosse permitido.
Confesso que gostei bastante do questionamento, pois me permitiu explorar um ponto importante com a turma e agora com vocês. Esta dúvida esta na base de algumas das confusões envolvendo o PMBOK que tenho presenciado com grande freqüência. Muitos ainda o encaram como uma metodologia a ser seguida e não como um corpo de conhecimento. Um corpo de conhecimento traz boas práticas e não é prescritivo. Vejam o parágrafo abaixo, extraído do próprio PMBOK:
O principal objetivo do Guia PMBOK® é identificar o subconjunto do Conjunto de conhecimentos em gerenciamento de projetos que é amplamente reconhecido como boa prática. “Identificar” significa fornecer uma visão geral, e não uma descrição completa. “Amplamente reconhecido” significa que o conhecimento e as práticas descritas são aplicáveis à maioria dos projetos na maior parte do tempo, e que existe um consenso geral em relação ao seu valor e sua utilidade. “Boa prática” significa que existe acordo geral de que a aplicação correta dessas habilidades, ferramentas e técnicas podem aumentar as chances de sucesso em uma ampla série de projetos diferentes. Uma boa prática não significa que o conhecimento descrito deverá ser sempre aplicado uniformemente em todos os projetos; a equipe de gerenciamento de projetos é responsável por determinar o que é adequado para um projeto específico.
Portanto fica aí o recado: o PMBOK deve ser encarado como uma fonte de inspiração e não como regra absoluta. A frase parece poética, romântica demais, mas é a mais pura verdade. O discernimento da equipe de gerenciamento de projetos é fundamental para saber escolher, para cada situação específica, aquilo que deve ou não ser aplicado. Projetos são únicos, estão lembrados?

Escrito por andriele