Peraí! Eu posso “pular” um processo do PMBOK?

Junho 24, 2008

Aula de gerenciamento de riscos em um curso de especialização em gerenciamento de projetos. Levei alguns exercícios de múltipla escolha para gerar discussão nos conceitos e técnicas apresentados até então. Em um deles, surgiu um debate interessante. A questão era a seguinte:

Você está planejando um projeto que na concepção de todos apresenta risco muito baixo. O projeto terá uma duração de 5 meses, está sendo realizado pela sua própria empresa e tem baixa prioridade. Baseado nestas informações, o que é melhor fazer?
a) Pular a análise quantitativa de riscos.
b) Gastar apenas um dia com gerenciamento de riscos.
c) Começar planejamento de resposta a riscos somente com as pessoas mais participativas.
d) Gastar a mesma quantidade de tempo gasta em outros projetos no gerenciamento de riscos, já que pode haver riscos não identificados.

Após o anúncio de que a resposta certa era a letra a, uma reação interessante ocorreu. Veio a pergunta:

- Peraí! Eu posso “pular” um processo do PMBOK? Não imaginei que isso fosse permitido.

 

PMBOK 3rd Edition

 

Confesso que gostei bastante do questionamento, pois me permitiu explorar um ponto importante com a turma e agora com vocês.  Esta dúvida esta na base de algumas das confusões envolvendo o PMBOK que tenho presenciado com grande freqüência. Muitos ainda o encaram como uma metodologia a ser seguida e não como um corpo de conhecimento. Um corpo de conhecimento traz boas práticas e não é prescritivo. Vejam o parágrafo abaixo, extraído do próprio PMBOK:

 O principal objetivo do Guia PMBOK® é identificar o subconjunto do Conjunto de conhecimentos em gerenciamento de projetos que é amplamente reconhecido como boa prática. “Identificar” significa fornecer uma visão geral, e não uma descrição completa. “Amplamente reconhecido” significa que o conhecimento e as práticas descritas são aplicáveis à maioria dos projetos na maior parte do tempo, e que existe um consenso geral em relação ao seu valor e sua utilidade. “Boa prática” significa que existe acordo geral de que a aplicação correta dessas habilidades, ferramentas e técnicas podem aumentar as chances de sucesso em uma ampla série de projetos diferentes. Uma boa prática não significa que o conhecimento descrito deverá ser sempre aplicado uniformemente em todos os projetos; a equipe de gerenciamento de projetos é responsável por determinar o que é adequado para um projeto específico.

Portanto fica aí o recado: o PMBOK  deve  ser encarado como uma fonte de inspiração e não como regra absoluta. A frase parece poética, romântica demais, mas é a mais pura verdade. O discernimento da equipe de gerenciamento de projetos é fundamental para saber escolher, para cada situação específica, aquilo que deve ou não ser aplicado. Projetos são únicos, estão lembrados?