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Archive for the ‘PMBOK’ Category

Entendendo os processos de qualidade do PMBOK

abril 21, 2010 4 comentários

É grande a confusão que muitas pessoas fazem em relação aos processos de Gerenciamento da Qualidade presentes no PMBOK (e o pior é que tem gente fazendo mais confusão ainda na hora de explicar). Como em de praxe aqui no “Falando em Projetos”, vamos direto ao ponto.

O PMBOK contém 3 processos ligados à qualidade: (1) Planejar a qualidade, (2) Realizar a garantia da qualidade e (3) Realizar o controle da qualidade. Primeiramente vamos esclarecer as diferenças entre os processos (2) e (3).

Já vi controle de qualidade e garantia da qualidade serem tratados como sendo a mesma coisa VÁRIAS VEZES. Creio que isto ocorra porque qualidade é uma área bastante vasta, que transcende o gerenciamento de projetos, e não há uma terminologia totalmente padronizada entre as diversas publicações que tratam do tema. E como não há uma referência absoluta e única, há uma tendência a se usar o tema Garantia da Qualidade pra tudo, já que ele parece mais “poderoso” e menos  propício à resistência. Controle não é lá uma palavra muito atrativa, não é mesmo?

Entretanto, do ponto de vista do PMBOK, a diferença é muito clara:

  • Garantia da Qualidade é a verificação de que as políticas, os processos e os procedimentos definidos para o projeto estão sendo devidamente utilizados. Preocupa-se também com a melhoria contínua destes ativos de processo.
  • Controle da qualidade é a verificação de produtos gerados pelo projeto, a fim de checar se estão em conformidade com os padrões de qualidade definidos.

Visto de outra forma: se estou testando um produto, ou fazendo algum tipo de inspeção sobre um produto (resistência de contreto, por exemplo), estou realizando controle de qualidade. Se estou fazendo uma auditoria de processos, estou realizando a garantia de qualidade.

Pra fechar o trio, o processo Planejar a qualidade cuida de definir os diversos ativos de processo e padrões que deverão ser seguidos no controle  e garantia da qualidade. E algumas “otras cositas mas”, tais como a frequência com a qual as inspeções e auditorias vão ocorrer, critérios de amostragem, responsabilidades em relação à qualidade, etc.

Importante: pra quem vai fazer a prova de certificação PMP, entender estas diferenças é FUNDAMENTAL.

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Peraí! Eu posso “pular” um processo do PMBOK?

junho 24, 2008 5 comentários

Aula de gerenciamento de riscos em um curso de especialização em gerenciamento de projetos. Levei alguns exercícios de múltipla escolha para gerar discussão nos conceitos e técnicas apresentados até então. Em um deles, surgiu um debate interessante. A questão era a seguinte:

Você está planejando um projeto que na concepção de todos apresenta risco muito baixo. O projeto terá uma duração de 5 meses, está sendo realizado pela sua própria empresa e tem baixa prioridade. Baseado nestas informações, o que é melhor fazer?
a) Pular a análise quantitativa de riscos.
b) Gastar apenas um dia com gerenciamento de riscos.
c) Começar planejamento de resposta a riscos somente com as pessoas mais participativas.
d) Gastar a mesma quantidade de tempo gasta em outros projetos no gerenciamento de riscos, já que pode haver riscos não identificados.

Após o anúncio de que a resposta certa era a letra a, uma reação interessante ocorreu. Veio a pergunta:

– Peraí! Eu posso “pular” um processo do PMBOK? Não imaginei que isso fosse permitido.

 

PMBOK 3rd Edition

 

Confesso que gostei bastante do questionamento, pois me permitiu explorar um ponto importante com a turma e agora com vocês.  Esta dúvida esta na base de algumas das confusões envolvendo o PMBOK que tenho presenciado com grande freqüência. Muitos ainda o encaram como uma metodologia a ser seguida e não como um corpo de conhecimento. Um corpo de conhecimento traz boas práticas e não é prescritivo. Vejam o parágrafo abaixo, extraído do próprio PMBOK:

 O principal objetivo do Guia PMBOK® é identificar o subconjunto do Conjunto de conhecimentos em gerenciamento de projetos que é amplamente reconhecido como boa prática. “Identificar” significa fornecer uma visão geral, e não uma descrição completa. “Amplamente reconhecido” significa que o conhecimento e as práticas descritas são aplicáveis à maioria dos projetos na maior parte do tempo, e que existe um consenso geral em relação ao seu valor e sua utilidade. “Boa prática” significa que existe acordo geral de que a aplicação correta dessas habilidades, ferramentas e técnicas podem aumentar as chances de sucesso em uma ampla série de projetos diferentes. Uma boa prática não significa que o conhecimento descrito deverá ser sempre aplicado uniformemente em todos os projetos; a equipe de gerenciamento de projetos é responsável por determinar o que é adequado para um projeto específico.

Portanto fica aí o recado: o PMBOK  deve  ser encarado como uma fonte de inspiração e não como regra absoluta. A frase parece poética, romântica demais, mas é a mais pura verdade. O discernimento da equipe de gerenciamento de projetos é fundamental para saber escolher, para cada situação específica, aquilo que deve ou não ser aplicado. Projetos são únicos, estão lembrados?

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